segunda-feira, 14 de junho de 2010

GUERRA DE SECESSÃO - EUA

Também nas páginas laterais, deixamos vários tópicos sobre o assunto. Comentários deixem aqui.

Agradecidas...

SIMON BÓLIVAR E A INDEPENDÊNCIA AMÉRICA ESPANHOLA

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SOCIALISMO

Marx e Engels: idealizadores do socialismo





O socialismo é uma doutrina política e econômica que surgiu no final do século 18 e na primeira metade do século 19. Depois, no século 20, houve várias tentativas de colocá-la em prática, em diversos países. Através de movimentos revolucionários, regimes comunistas foram implantados em nações tão diferentes quanto a Rússia, a China, Cuba, o Vietnã e a Coréia do Norte.


Diferença entre socialismo e comunismo
É muito comum a confusão existente acerca da diferença entre socialismo e comunismo. Será que as duas as expressões representam as mesmas idéias? Será que um é continuação do outro? Ou se trata de movimentos divergentes entre si?

Vamos simplificar as idéias, a fim de evitar complicações. Em primeiro lugar, enquanto teoria, o socialismo não difere do comunismo. Essa diferença só apareceu quando o socialismo ou comunismo começou a ser colocado em prática.


Teoria e prática
Segundo Karl Marx, um dos principais filósofos do movimento, o socialismo é um regime político e econômico em que não existe a propriedade privada nem as classes sociais. Todos os bens seriam de todas as pessoas e não poderia haver diferenças econômicas entre os indivíduos. O próprio Marx chama esse modelo de comunismo, numa tentativa de se contrapor aos outros autores, que também defendiam o socialismo, mas propondo outros modelos de sociedade. No entanto, o próprio Marx usa tanto socialismo quanto comunismo para se referir à mesma idéia.

No século 20, a idéia de socialismo proposta por Marx ganhou força política. Contudo, em vários países do mundo onde isso ocorreu, houve divergências sobre a melhor forma de transformar o socialismo em realidade. Lênin, um dos líderes socialistas russos, propôs, a partir de 1917, uma revolução radical, que estabeleceria a "ditadura do proletariado". Por outro lado, houve socialistas que discordavam de Lênin, pois queriam mudanças menos tumultuadas e defendiam outros modelos socialistas, como a social-democracia e até o nacional-socialismo, isto é, o nazismo.

Assim, desde a Revolução Russa, em 1917, socialismo e comunismo passaram a designar duas coisas bem diferentes. O socialismo constituiu-se numa doutrina menos radical do que o comunismo, propondo uma reforma gradual da sociedade capitalista, de modo a chegar a um modelo em que exista equilíbrio entre o valor do capital e o do trabalho, para diminuir a distância entre ricos e pobres. O comunismo, ao contrário, defende o fim da ordem capitalista, através de uma revolução armada, objetivando fim da burguesia.


Uma resposta ao capitalismo industrial
Apresentadas as semelhanças e diferenças, vamos olhar agora as teorias socialistas, que são a base para qualquer uma dessas práticas políticas.

Se voltarmos nossa atenção especialmente para a origem das teorias socialistas, constataremos que elas surgiram ao mesmo tempo em que ocorria a Revolução Industrial e o capitalismo atingia um momento de desenvolvimento pleno. Dessa forma, não se pode achar que seja mera coincidência o surgimento de tais idéias nesse momento. Na verdade, elas são uma resposta que os intelectuais da época deram ao que eles consideravam agressões do capitalismo industrial recém surgido.

Ora, se socialismo e capitalismo mantêm entre si uma relação de oposição, para compreender aquele, é necessário, antes de mais nada, entender este último. Foi esse o percurso trilhado por Marx. Segundo ele e outros teóricos adeptos de suas idéias, o capitalismo é um modelo econômico que surgiu na transição do período medieval para a Idade Moderna, pela superação do feudalismo.

Assim, o capitalismo primeiro aparece como mercantilismo ou capitalismo comercial no século 15. Depois, a partir do século 18, com o surgimento das máquinas a vapor, dos teares mecânicos e das fábricas, o sistema entrou em uma nova fase, chamada de capitalismo industrial.


A luta de classes
No capitalismo industrial, como o próprio nome diz, a maior fonte de riqueza está nas indústrias. Mas como se gera essa riqueza? De acordo com Marx, através da propriedade privada dos meios de produção. É a propriedade que permite gerar capital, dinheiro, renda, lucro. Os bens que existem na sociedade, tais como fábricas, equipamentos, etc. não pertencem a todas as pessoas que vivem nessa sociedade.

Assim, algumas pessoas possuem esses bens - e foram chamadas de capitalistas, ou burguesas. Outras pessoas, as que nada têm, além de sua capacidade ou força de trabalho, vêem-se obrigados a trabalhar para os donos das fábricas. Esses despossuídos, portanto, tornam-se operários nas indústrias e são chamadas de proletários. Vale notar que essas duas classes constituem, respectivamente, o topo e a base da pirâmide social.

Como Marx vê a relação entre burgueses e proletários? No sistema capitalista, os proletários produzem mercadorias que, ao serem vendidas, cobrem os custos da fábrica (aluguel, gastos com energia, compra de máquinas, salários, impostos etc.). Se a indústria funcionar bem, a renda gerada - além de pagar todos os custos - ainda dá lucros para o dono da empresa.

De acordo com a filosofia liberal, o capitalista merece ficar com os lucros, pois foi ele quem investiu para gerá-los. Assim, ele não precisa repassá-los para os empregados: somente pagar-lhes um salário, em geral de valor pequeno. Ao contrário, para Marx, o que traz riqueza são os produtos gerados pelo trabalho, mas essa riqueza - injustamente - não é repassada para os que verdadeiramente a produzem. Por isso, o capitalismo seria um modelo econômico fundado na injustiça social, pois, apesar de gerar imensas riquezas, não as distribui de um modo correto, condenando os trabalhadores à pobreza.


Socialismo utópico
Na verdade, a crítica ao capitalismo é anterior a Marx e aparece já no final do século 18. Alguns autores até acreditavam no sistema capitalista, mas queriam alguns ajustes. O francês Saint Simon, por exemplo, defende um tipo de socialismo planificado, em que o mercado deve ter algum tipo de controle estatal. Já Charles Fourier é contrário a essas idéias e defende um sistema de trabalho em cooperativas, em que os empregados fossem donos das fábricas e repartissem o lucro entre si.

O outro pensador desse período, considerado o pai do socialismo utópico (utopia significa sonho, algo ideal, mas não necessariamente possível) é Robert Owen. Segundo ele, os trabalhadores deveriam se organizar em cooperativas, sem salário, retirando de sua produção aquilo que necessitassem para sua sobrevivência. Como essas idéias pareciam impossíveis de darem certo, aos olhos dos homens daquele período, Owen foi tachado de "socialista utópico".


O Marxismo
Entretanto, o principal elaborador da teoria socialista, que inclusive acabou ganhando também o seu nome, foi o alemão Karl Marx, juntamente com Friedrich Engels, co-autor de grande parte de sua obra. "O Manifesto Comunista", escrito pelos dois em 1848, em meios às revoltas sociais que agitavam a Europa naquele momento, foi a primeira grande manifestação de suas idéias. Como ambos os autores apresentassem uma interpretação da história baseada no que consideravam a constatação de fatos, de acordo com os princípios da ciência da época, o marxismo também é denominado como socialismo científico.

Ao longo do século 20 e até os dias de hoje, o modelo socialista de uma sociedade sem classes e sem propriedade privada ainda está no campo do ideal. Nos países em que foi implantado, o comunismo tentou abolir a propriedade privada, mas não conseguiu eliminar as classes sociais. Os políticos que tomaram conta do Estado nas sociedades comunistas acabaram se tornando uma nova classe social, privilegiada em comparação ao restante da população.

Além disso, constituíram regimes autoritários e violentos, que chegaram a promover verdadeiros massacres entre suas próprias populações. Essa tentativa de aplicação do regime comunista ainda sobrevive em alguns países nos dias atuais, como em Cuba e na China. No entanto, o capitalismo já recomeçou a entrar nestes países e a alterar, gradativamente, seus regimes.

ANARQUISMO

O Anarquismo é uma filosofia política composta por vertentes de pensamento (também chamadas de escolas de pensamento) heterogêneas e diversificadas, unidas pela oposição comum a um governo compulsório. Todas as vertentes de pensamento anarquistas se caracterizam pela "crença que a autoridade e a dominação em todas as suas formas (tanto estadista quanto capitalista) não são apenas perniciosas, mas desnecessárias"; no entanto, cada uma delas difere fundamentalmente em outras prerrogativas que vão do extremo individualismo ao completo coletivismo, variando também com relação a estratégias de emancipação e enfoques, como por exemplo o anarcofeminismo, focando a questão de gênero, e o anarquismo verde, que se aprofunda na ecologia social.

O antropólogo anarquista David Graeber notou que enquanto as vertentes do Marxismo sempre possuem fundadores (e.g. Leninismo, Maoismo, Lacanianismo), as vertentes do anarquismo "quase que invariavelmente emergem de algum tipo de princípio organizacional, forma de prática, ou identidade comum, alguns exemplos são o anarcossindicalismo, o individualismo anarquista, o plataformismo e o anarcoqueer.

Anarquismo filosófico
William Godwin (1756 – 1836), filósofo liberal, utilitarista e individualista considerado o fundador do anarquismo filosófico. Tela de Henry William Pickersgill.William Godwin, ao fundar o anarquismo filosófico, desenvolveu o que muitos consideram a primeira expressão do pensamento anarquista moderno.Segundo Piotr Kropotkin, Godwin foi "o primeiro a formular os conceitos políticos e econômicos do anarquismo, mesmo não adotando tal denominação em sua obra."O anarquismo filosófico postula que o Estado não possui legitimidade moral; que não há obrigações individuais ou o dever de obediência ao Estado, e consequentemente o Estado não detém o direito de comandar indivíduos. No entanto, Godwin não advoga a revolução para eliminar o Estado. De acordo com The Blackwell Dictionary of Modern Social Thought, o anarquismo filosófico "é composto principalmente pelo anarquismo individualista."

Os anarquistas filosóficos podem aceitar a existência do Estado mínimo como um mal necessário, infeliz e temporário, mas acreditam que os cidadãos não possuam a obrigação moral de obedecer ao Estado quando suas leis entram em confronto com a autonomia individual.Da forma como é concebido por Godwin, o anarquismo filosófico requer que os indivíduos ajam de acordo com seu próprio julgamento e permitam a todos os outros indivíduos a mesma liberdade; de acordo com o pensamento de Max Stirner, o "indivíduo singular" que verdadeiramente "possui a si mesmo" não reconhece deveres para com outros; dentro dos limites de seu poder, ele realiza o que é correto para si.Godwin se opõe à ação revolucionária e vê o Estado mínimo como um "mal necessário" no presenteque se tornaria cada vez mais fraco e irrelevante diante da propagação gradual do conhecimento. Godwin defende um individualismo extremo, propondo que toda cooperação no trabalho seja eliminada. Godwin sustenta que toda discriminação que não se refira a habilidades é intolerável.

Ao invés de lançar bombas ou pegar em armas para derrubar o Estado, os anarquistas filosóficos "trabalharam por uma mudança gradual para libertar os indivíduos do que acreditavam ser leis opressivas e limitações sociais do Estado moderno e permitir que os indivíduos se tornassem autogovernados e criadores de valores.Eles podem se opor à eliminação violenta do Estado devido à preocupação de que uma estrutura mais opressiva e arbitrária ocupe o vácuo de poder; isto é especialmente verdadeiro entre aqueles anarquistas que consideram violência e Estado como sinônimos, ou que acreditam ser contraproducente a reação pública à violência na forma de leis mais severas.

Mutualismo
O mutualista Pierre-Joseph Proudhon foi o primeiro a se autodenominar anarquista.O Mutualismo começa com os movimentos de trabalhadores ingleses e franceses do século XIX, assumindo seu caráter anarquista com Pierre-Joseph Proudhon na França e outros nos EUAIsto influenciou anarquistas individualistas como Benjamin Tucker e William B. Greene nos Estados Unidos. Josiah Warren propôs ideias similares em 1883, depois de participar de um experimento owenita frustrado. Nos anos de 1840 e 1850, Charles A. Dana,e William B. Greene introduziram a obra de Proudhon nos Estados Unidos. Greene adaptou o mutualismo de Proudhon às condições americanas e apresentou o resultado a Benjamin R. Tucker.

O anarquismo mutualista trata da reciprocidade, liberdade de associação, contrato voluntário, federação, e da reforma do crédito e do sistema monetário. Muitos mutualistas acreditam que um mercado sem intervenções do governo tenderia a reduzir os preços aos valores de custo, eliminando o lucro e os juros de acordo com a Teoria do valor-trabalho. Empresas seriam obrigadas a competir por trabalhadores da mesma forma que trabalhadores competem por empresas, aumentando a remuneração. Alguns posicionam o mutualismo entre o anarquismo individualista e o coletivista;Em O Que é a Propriedade?, Proudhon desenvolve um conceito de "liberdade" equivalente ao de "anarquia", que é a síntese dialética do comunismo e da propriedade Greene, influenciado por Pierre Leroux, cncebeu o mutualismo como a síntese de três filosofias – comunismo, capitalismo e socialismo.Anarquistas individualistas tardios usaram o termo mutualismo mas deram pouca ênfase a tais sínteses, socialistas libertários como os autores de An Anarchist FAQ defendem ser o mutualismo um subgênero de sua tradição filosófica.

Anarquismo individualista
O filósofo Henry David Thoreau (1817-1862), teórico da desobediência civil.O anarquismo individualista é composto por diversas tradições que afirmam que "a consciência individual e a realização do interesse pessoal não devem ser restringidos por nenhuma coletividade ou autoridade pública."O anarquismo individualista possui diversas influências: Thomas Jefferson, o mutualismo de Pierre-Joseph Proudhon, e a teoria dos direitos naturais do liberalismo clássico, entre outras. O anarquismo individualista ganhou especial força nos EUA desde Warren até Murray Rothbard (que chamou sua filosofia de anarcocapitalismo), Kevin Carson e outros, incluindo Charles Johnson, David D. Friedman, Stephan Kinsella, Roderick T. Long, James J. Martin, Wendy McElroy, Gary Chartier, Joe Peacott, Sharon Presley, e Crispin Sartwell.

Em meados do século XIX, nos Estados Unidos, Henry David Thoreau previu "a inevitabilidade do autogoverno acompanhada da atrofia do Estado," alegando que o único poder existente ser aquele ao qual os indivíduos cedem,mas sem oferecer um programa prático para a mudança social.

Egoísmo
O egoísmo foi divulgado por Max Stirner, um dos primeiros e mais conhecidos expoentes do anarquismo individualista.Seu livro O Único e Sua Propriedade publicado em 1844. é um dos textos fundadores desta filosofia. De acordo com as concepções de Stirner, a única limitação aos direitos do indivíduo deve ser seu poder de alcançar o que deseja,sem levar em consideração ideias como Deus, o Estado ou valores morais.

Tendências contemporânea
O Anarquismo influenciou a formação de diversas filosofias e movimentos de caráter eclético e baseados em sincretismos. Desde seu ressurgimento em meados do século XX, uma série de novos movimentos e escolas têm surgido. O antropólogo anarquista David Graeber identifica uma ruptura entre gerações do Anarquismo, representada, por um lado, "por aqueles que ainda não abandonaram os hábitos sectários do século passado", e por outro pelos ativistas mais jovens, "que são muito mais informados, entre outras coisas, sobre as ideias dos movimentos indígenas, feministas, ecológicos e da crítica cultural"; para Graeber, estes últimos constituem a vasta maioria dos anarquistas no século XXI.

Anarcocapitalismo
O Anarcocapitalismo, por vezes designado por libertarismo anarquista, ou anarquismo de propriedade privada ou ainda anarquismo de livre mercado, é uma versão radical do liberalismo clássico e anarquismo individualista.Tem como postulado que as formas de governo, principalmente as concepções estatais, são prejudiciais e desnecessárias, especialmente instituições estatais relacionadas a funções jurídicas e de segurança.

Em assuntos econômicos, o anarcocapitalismo defende o capitalismo como a forma de organização mais eficiente e rejeita qualquer tipo de controle governamental, impostos ou regulamentos. Considera que a segurança e a justiça são serviços como quaisquer outros, e que um mercado competitivo pode fornecer esses serviços muito melhor do que um governo monopolista.

Os defensores do anarcocapitalismo concebem a sua filosofia política enquanto parte da tradição anarquista, no entanto, diferente de outras vertentes anarquistas (socialistas), e na perspectiva de muitas destas, os anarcocapitalistas negam as possíveis formas de dominação existentes no capitalismo e no chamado "Livre Mercado".

Anarcofeminismo
O Anarcofeminismo se opõe a todo o tipo de hierarquia. Entretanto, os anarca-feministas dedicam maior atenção à desigualdade existente entre os sexos. Os anarca-feministas acreditam que as mulheres constituem a classe mais explorada pelo capitalismo, porque seu trabalho doméstico e de reprodução é considerado sem valor econômico. A exploração e dominação da mulher é chamada por eles de patriarcado, o qual é o principal alvo de seu ativismo. Segundo eles e elas, a desigualdade entre os sexos é o principal entrave para que homens e mulheres da classe trabalhadora possam se unir e lutar pelos seus interesses comuns.

O Anarca-feminismo se diferencia do feminismo por considerar que direitos conquistados dentro da sociedade capitalista serão sempre superficiais, visto que só poderão ser desfrutados pela classe dominante.

O termo Anarca-feminismo foi inventado durante a "segunda onda" do movimento feminista, ocorrida no final dos anos 60. Entretanto, o movimento é mais comumente associado a autoras do início do século XX, como Emma Goldman e Voltairine de Cleyre, bem como algumas autoras da "primeira onda", como Mary Wollstonecraft. Durante a Guerra Civil Espanhola, o grupo Mujeres Libres defendia idéias anarquistas e feministas.

O Anarquismo Verde
Ou Ecoanarquismo, é uma corrente anarquista que defende, como qualquer outra corrente anarquista, um movimento contra a hierarquia e qualquer forma de autoridade social, mas que parte de um ponto de vista centrado na natureza e na sua relação com ela. A maior parte dos apologistas do anarquismo verde defendem uma perspectiva anticivilização, apontando para uma realidade humana sem hierarquia como tendo uma origem natural e biológica. O seu discurso distingue-se normalmente das outras correntes pela sua crítica à tecnologia, produto da lógica de domesticação da sociedade patriarcal, como sendo social e politicamente parcial.

O anarquismo verde defende assim uma relação estreita do homem com a natureza, em alternativa à economia da produção em massa onde ele desempenha uma pequena tarefa, reduzido ao trabalho desumano, na gigante máquina industrial, também referida como a megamáquina.

Anarquismo pós-esquerdista
O Anarquismo pós-esquerdista procura se distanciar da esquerda tradicional - comunistas, socialistas, social democratas, etc. - e escapar dos limites ideológicos em geral. Os pós-esquerdistas defendem que o Anarquismo perdeu força devido ao envolvimento com outros grupos de esquerda e à defesa de causas específicas (o movimento contra a guerra ou a energia nuclear, nos EUA; os sem-terra, no Brasil). Eles defendem uma síntese do pensamento anarquista, e um movimento revolucionário especificamente antiautoritário e desvinculado dos grupos de esquerda. As pessoas e grupos importantes associados ao Anarquismo pós-esquerdista incluem a revista Anarchy e Jason McQuinn, Bob Black, Hakim Bey, entre outros.

Pós-anarquismo
Criado por Saul Newman, e ganhou popularidade por seu livro De Bakunin a Lacan. Refere-se a um deslocamento teórico para a construção de uma síntese da teoria anarquista clássica e do pensamento pós-estruturalista. No entanto, para além do uso de Newman do termo, a expressão ganhou vida própria e hoje abarca o amplo espectro de ideias como o pósmodernismo, autonomismo, situacionismo, pós-colonialismo e o zapatismo. Por sua própria natureza, o pós-anarquismo rejeita ser um conjunto coerente de doutrinas e crenças, tornando difícil - senão impossível - determinar com qualquer grau de certeza aquilo que deve se incluir sob esta rubrica; de qualquer forma, os pensadores-chave associados à corrente incluem Saul Newman, Todd May, Lewis Call, Gilles Deleuze e Félix Guattari.

Anarquismo insurrecionário
Anarquismo insurrecionário é uma vertente anarquista que defende a teoria e a prática revolucionária dentro do movimento anarquista, se opondo a organizações anarquistas formais como sindicatos e federações que se baseiam em programas políticos e congressos periódicos. Os anarquistas insurrecionários defendem também o emprego de táticas de ação direta (violenta e outras mais), organizações informais, incluindo pequenos grupos de afinidade e organizações massivas que incluam os explorados e setores excluídos da sociedade independente de sua adesão às idéias anarquistas.

Autarquismo
O Autarquismo é uma filosofia criada por Robert LeFevre, que define a autarquia como autorregulação: "isto quer dizer que cada pessoa governa a si mesmo, e a mais ninguém". O Autarquismo rejeita o governo compulsório e defende o capitalismo privado.

Socialismo Libertário de Mercado
O Mutualismo, inicialmente concebido no século XIX, foi retomado no século XX, incorporando ideias da Economia moderna como a teoria da utilidade marginal. O livro de Kevin A. Carson, Estudos em Economia Política Mutualista, foi de grande importância para o tema, atualizando a teoria do valor-trabalho em resposta às propostas da Escola Austríaca. Os mutualistas contemporâneos estão entre aqueles envolvidos na Aliança da Esquerda Libertária e no Movimento de Cooperação Voluntária. O Agorismo, tendência anarquista fundada por Samuel Edward Konkin III, defende a contra-economia - o trabalho livre de impostos nos mercados negro e cinza e o boicote ao mercado regulado e taxado - como um caminho para a emergência de instituições privadas que possam competir com vantagem sobre as estatais.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA


Península Itálica após o Congresso de Viena (1814-1815).

O Risorgimento (em português Ressurgimento) é o movimento na história italiana que buscou entre 1815 e 1870 unificar o país, que era apenas uma coleção de pequenos Estados submetidos a potências estrangeiras.

Na luta sobre a futura estrutura da Itália, a monarquia, na pessoa do rei do Piemonte-Sardenha, Vítor Emanuel II di Savoia, apoiado pelos conservadores liberais, teve sucesso quando em 1859-1861 se formou a Nação-Estado, derrotando os partidários de esquerda, republicanos e democráticos, que militavam sob Giuseppe Mazzini e Giuseppe Garibaldi. A desejada unificação da Itália se deu assim sob a Casa de Savoia, com a anexação ao Reino de Sardenha, da Lombardia, do Vêneto, do Reino das Duas Sicílias, do Ducado de Módena e Reggio, do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Parma e dos Estados Pontifícios.

Na primeira fase do Risorgimento (1848-1849), desenvolveram-se vários movimentos revolucionários e uma guerra contra o Império Austríaco, mas concluiu-se sem modificação do statu quo.

A segunda fase, em 1859-1860, prosseguiu no processo de unificação e concluiu com a declaração da existência de um Reino de Itália. Completou-se com a anexação de Roma, antes a capital dos Estados Pontifícios, em 20 de setembro de 1870.

Antecedentes
Península Itálica após o Congresso de Viena (1814-1815).Napoleão Bonaparte criou diversos estados na península Itálica: Reino da Etrúria, Reino de Itália (1805-1814) e entregou o governo do Reino de Nápoles ao seu irmão José. Durante esse período, esses territórios passaram por reformas liberais e pela extinção dos privilégios feudais e eclesiásticos. Após o Congresso de Viena, com a conferência de paz que se seguiu à derrota de Napoleão, e a liquidação do sistema, a península Itálica ficou dividida e subjugada. A Áustria dominava a Lombardia e Vêneto (Venécia); os ducados de Parma e Piacenza, Módena e Toscana eram regidos pelos arquiduques austríacos; o Piemonte, que integrava o Reino de Sardenha junto com o Ducado de Sabóia e Gênova, era governado pela casa de Sabóia; o Papa governava os Estados Pontifícios, estendendo sua autoridade às províncias do Adriático, e os Bourbons voltavam ao Reino das Duas Sicílias.

Em todas essas regiões, foi estabelecido o absolutismo. O único Estado que permaneceu mais ou menos liberal foi o Reino da Sardenha, na ocasião composto das atuais regiões de Piemonte e da Sardenha.

Os governantes do Antigo Regime, impostos pelo Congresso de Viena, sem apoio popular, governavam com auxílio das forças austríacas.

Entretanto, as idéias nacionalistas e revolucionárias continuavam propagando-se, incentivadas pelo progresso econômico e o amadurecimento das instituições. O incremento da produção têxtil do Reino do Piemonte-Sardenha exigia um vasto mercado que somente poderia ser a Itália unificada. As ferrovias favoreceram as comunicações e, com elas, a unidade dos diversos Estados. Outro elemento aglutinador era a língua italiana. Os italianos podiam estar separados pelas fronteiras, com monarcas estrangeiros impostos pela Santa Aliança, mas ninguém podia despojá-los do idioma de Dante, Petrarca e Boccaccio. Por outro lado, o romantismo, que se identificou na Itália com o Risorgimento letterario, adquiriu um claro poder político. Assuntos aparentemente literários ou históricos encontravam-se cheios de alusões à escravidão e a tirania. Onde não se tolerava a crítica, empregava-se a sátira.

As sociedades secretas e o movimento Jovem Itália
As idéias revolucionárias também se propagaram através de sociedades secretas, como os carbonários, os adelfos e os neoguelfos.
Durante o domínio napoleônico, formou-se na Itália uma resistência que contou com membros de uma organização secreta – a Carbonária. A Carbonária, uma sociedade mais ou menos maçônica, surgiu em Nápoles, dominada pelo general francês Joaquim Murat, cunhado de Bonaparte. Seu objetivo, como o da maçonaria em geral, era combater a intolerância religiosa, o absolutismo e defender os ideais liberais. Lutava contra os franceses, porque as tropas de Napoleão haviam iniciado uma espoliação da Itália, embora defendessem os mesmos princípios de Bonaparte.

Com a expulsão dos franceses, a Carbonária queria unificar a Itália e implantar os ideais liberais.

Giuseppe Mazzini (1805-1872), fundador do movimento Jovem Itália.Os carbonários eram, principalmente, da média e da pequena burguesia e organizavam-se em vendas, cada uma contendo vinte membros, que desconheciam os grandes chefes. Todas as orientações eram transmitidas pelas vendas. Havia uma venda central, composta por sete membros, que chefiava o trabalho das demais. A Carbonária não tinha nenhuma ligação popular, pois como sociedade secreta, não propagandeava suas atividades. Além disso, a Itália era uma região agrícola e extremamente católica, com camponeses analfabetos e religiosos, que tradicionalmente se identificavam com idéias e chefes conservadores. Giuseppe Mazzini (1805-1872), político genovês, entrou para a sociedade dos Carbonários em 1830. Ao ser preso em 1831 por advogar inflamadamente a rebelião, passou a criticar as sociedades secretas, seus ritos e a ineficiência militar. Afinal, elas não conseguiram realizar a unificação italiana e não tinham nenhuma representatividade popular. Da crítica às sociedades, Mazzini passou à ação. Fundou a Jovem Itália[1]), organização paramilitar que pretendia libertar as regiões italianas do domínio austríaco e unificar o país, por meio da educação do povo e da fundação de uma república democrática. Suas palavras de ordem eram: direito dos homens, progresso, igualdade jurídica e fraternidade. A sociedade organizou células revolucionárias em toda a península.

A esse movimento democrático opunham-se outras correntes que também pretendiam a unificação italiana. Eram os reformistas monarquistas, contrários à violência proposta por Mazzini e que acreditavam na realização da unidade política em torno do Reino Sardo-Piemontês, sob um regime monárquico constitucional, e os neoguelfos, moderados liderados por Vincenzo Gioberti, que, por intermédio de acordos com a Áustria, queriam formar uma monarquia constitucional sob o controle do papa. O nome neoguelfos tem origem nos políticos medievais que defendiam que os papas romanos deveriam ter também o poder temporal da Europa.

Revoltas contra a volta do antigo regime
O Reino do Piemonte-Sardenha em 1839.Em 1820, revoltam-se em Nápoles dois oficiais franceses, Morelli e Silvati, com as suas divisões de cavalaria, ao clamor do rei e da ausência de uma constituição, claramente incitados pela agitação que eclodira pouco antes na Espanha. A revolta começa vitoriosa, o exército agrupa-se quase completamente ao redor dos insurrectos, cujo comando é assumido por Guglielmo Pepe. O rei vê-se forçado a proclamar a constituição e a formar um governo predominantemente constituído por antigos adeptos de Joaquim Murat. Os acontecimentos em Nápoles se propagam imediatamente à Sicília, onde a revolta assume um caráter autonomista. Um movimento de carbonários piemonteses exige da mesma forma a promulgação de uma constituição, concedida pelo regente do rei Carlos Félix, Carlos Alberto. Mas tanto o movimento napolitano quanto o piemontês são reprimidos. Morelli e Silvati acabam na prisão e com eles muitos outros. No Piemonte, Laneri e Grelli são condenados. E assim quase todos os que tinham se comprometido com as insurreições dos carbonários se vêem forçados a ir para o exílio.

O que caracteriza essas primeiras tentativas é o quase completo afastamento das massas populares e da burguesia. São movimentos conduzidos por oficiais e descendentes da nobreza, com ideais de liberdade, constituição e parlamento, muito distantes das preocupações da população, ligada à agricultura principalmente, tais como repartição de terras, contratos de arrendamento e a situação geral dos camponeses. As insurreições seguintes, de 1830 e 1831, sobretudo nos Estados da Igreja, em Módena e em Parma, igualmente reprimidos em sangrentos combates, continuam a não mostrar modificações nesta esfera.

A Revolução de 1848 e a tentativa de unificação de Carlos Alberto
Carlos Alberto de Savoia-Carignano, rei da Sardenha, foi derrotado pelos austríacos e teve de abdicar em favor de seu filho.O movimento de unificação de Itália foi desencadeado pela revolução de 1848-1849. Após a Revolução de Julho, na França, nacionalistas italianos começaram a apoiar Mazzini e o movimento Jovem Itália. Foram incentivados pelo liberal Carlos Alberto da Sardenha, que havia assumido o trono da Sardenha e que se tornara o governante de Piemonte em 1831. O rei Carlos Alberto adotou uma forma de governo diferente dos demais: o parlamentarismo. Seguindo, inclusive, orientações do Papa Pio IX, que abolira o absolutismo nos Estados Pontifícios, dando anistia aos condenados políticos, promulgou uma Constituição liberal (o Estatuto Fundamental). Administrador capaz, reformou o sistema financeiro e reforçou o exército.

Em 1847, Camilo Benso, o Conde de Cavour, começou a editar um jornal chamado Il Risorgimento, influenciando largamente o rei, que, convicto da necessidade de expulsar os austríacos da Lombardia e de Veneza, declarou guerra à Áustria em 1848, contando unicamente com suas próprias forças (seu lema era "L'Italia fará da sé"). Os sardo-piemonteses tiveram que lutar sozinhos, sendo derrotados em Custozza (1848) e Novara (1849). As condições de paz eram humilhantes para serem aceitas e, acreditando que sua utilidade para o país havia terminado, Carlos Alberto abdicou em 23 de Março de 1849 em favor de seu filho Vitor Emanuel II (1849-1878) e se exilou em Portugal, vindo a morrer meses depois.

Proclamação da República Romana (1849).Entre 1848 e 1849, começam as tentativas de unificação do reino da Itália. Durante esse período, os revolucionários proclamam pelo menos três repúblicas, a de São Marcos, a Toscana e a República Romana. Essa última república foi proclamada quando, em 1849, Mazzini comandou uma revolução em Roma. Os revoltosos cercaram o palácio do Quirinal, onde morava o Papa Pio IX, e o ameaçaram seriamente. Para salvar-se, o pontífice, dissimulado sob outros trajes, fugiu para Gaeta, fortaleza localizada no Reino das Duas Sicílias (24 de novembro de 1848). Em 9 de Fevereiro de 1849, uma Assembléia Constituinte em Roma proclamou a República Romana. Um dos primeiros atos da nova república foi a elaboração de uma constituição que pudesse ser utilizada por uma Itália unida. Pio IX apelou para as potências européias, pois o Congresso de Viena tinha reconhecido e confirmado as fronteiras dos Estados da Igreja. Nações católicas como a Áustria, a França e a Espanha mandaram tropas para atacar Roma e a república foi abolida em Julho de 1849. O Papa voltou à sua capital em 1850.

O movimento de Mazzini, apesar de outras tentativas de insurreição, em 1853, enfraquecia. As forças que queriam construir uma Itália mais moderna e democrática foram vencidas.

Depois da onda revolucionária, os partidos mais tradicionais cresceram, promovendo posteriormente a unidade italiana, em bases não-democráticas, sob a égide do Reino da Sardenha.

A derrota dos revolucionários provocou a restauração do absolutismo em quase todos os Estados italianos. O único reino que manteve uma constituição liberal foi o Piemonte-Sardenha. Quase todos os partidos empenhados na unificação depositaram aí suas esperanças.

Vitor Emanuel e Cavour
Vítor Emanuel II, nascido em Turim, no Piemonte. Ascendeu ao trono em 1849 com a abdicação do pai, Carlos Alberto de Savóia.Vitor Emanuel II subiu ao trono do Reino de Sardenha com 29 anos. Destemido na guerra, embora não tão bem dotado como governante, mostrou coragem ao rejeitar as imposições da Áustria para que revogasse a constituição de seu pai, embora esta atitude tenha lhe custado extensos territórios. Mas ao insistir em conceder anistia aos italianos que haviam se revoltado contra os austríacos, tornou-se um herói para seu povo, atraindo vários partidários de idéias unificadoras. Apesar da derrota de seu pai, seu reino crescia a cada dia em população e progresso, tornando-se o centro do movimento nacionalista.

Após a derrota frente à Áustria, em 1852, Vítor Emanuel II nomeou como chefe de gabinete o Conde de Cavour (1810-1861), líder do Partido Moderado e descendente de ricos latifundiários. Este político queria dar à Itália uma constituição de tipo britânico e era partidário da unificação da Itália, acreditando que a Casa de Sabóia deveria liderar o processo. Um dos principais obstáculos à unidade italiana era a Áustria, que possuía muitos territórios no Norte da Itália. Cavour atuou em duas frentes para derrotá-la: no reaparelhamento militar e econômico do Piemonte-Sardenha e na diplomacia internacional para conquistar aliados contra aquele país.

Camilo Benso, o Conde de Cavour. (1810 - 1861).Internamente, Cavour procurou desenvolver a indústria, o comércio, as ferrovias e o exército sardo-piemontês. Externamente, participou da Guerra da Criméia (1854-1856) contra a Rússia, ao lado da França e da Inglaterra, para obter apoio contra a Áustria. Em 1855, Napoleão III, que tinha simpatia pela causa italiana e era contrário aos tratados de Viena, perguntou a Vitor Emanuel II e ao seu primeiro-ministro, Cavour, qual a contribuição que a França poderia dar à Itália. Em 1856, França e Inglaterra debatiam abertamente o problema do obscurantismo predominante nos Estados Pontifícios e no Reino das Duas Sicílias, chegando à conclusão de que as duas potências tinham a responsabilidade de modificar essa situação. Cavour utiliza-se da Conferência de Paris, após a guerra, para denunciar a Áustria e despertar o interesse das nações européias para a causa italiana.

Ele e Napoleão III se reuniram secretamente em Plombiers, no verão de 1858. No final do encontro, a França se comprometeu a apoiar o Reino da Sadenha em caso de invasão austríaca. Confiando nessa promessa, Cavour logo iniciou uma política beligerante contra os austríacos, tentando envolvê-los numa guerra contra o Piemonte-Sardenha.

Guerras de Independência
Entre 1848 e 1866 os exércitos do Reino de Sardenha e do Império Austríaco combateram três guerras que, com êxitos alternados, levaram à libertação da maior parte do Norte da Península Itálica do domínio austríaco.

A primeira guerra se desenvolveu em 1848-1849 e terminou com a derrota do exército sardo-piemontês. A segunda guerra se desenvolveu em 1859, quando o Reino de Sardenha se aliou à França e terminou com a derrota da Áustria e a formação do núcleo que originaria o reino de Itália. A terceira guerra ocorreu em 1866 e o Reino de Itália aliou-se à Prússia contra a Áustria. Graças à vitória do exército prussiano contra a Áustria, o reino de Itália adquiriu o controle sobre o Vêneto.

Giuseppe Garibaldi. Partidário do movimento Jovem Itália, teve de deixar o país em 1834, regressando catorze anos depois.Os austríacos invadiram o Piemonte, parte do Reino da Sardenha, em 1859, iniciando a Segunda Guerra de Independência Italiana que teve a França lutando ao lado da Sardenha. A partir do Sul, voluntários aderiram à guerra sob a liderança de Giuseppe Garibaldi, um dos próceres do movimento de unificação do país, chamado a intervir para conferir a este conflito um caráter mais popular.

Os povos dos ducados de Módena e Parma, governados por duques ligados ao Império Austríaco, expulsaram seus governantes. A Toscânia, seguida por outros estados, revoltou-se e juntou-se ao Reino da Sardenha.

Na frente de batalha ao norte, os austríacos sofreram retumbantes derrotas frente aos franceses e sardo-piemonteses nas batalhas de Montebello (20 de maio de 1859), Magenta (4 de julho de 1859) e Solferino (21 de Junho de 1859).

Se as hostilidades continuassem, é muito provável que os austríacos tivessem sido expulsos por completo da Península Itálica. Apesar das vitórias, o governante francês, amedrontado pela possibilidade da guerra evoluir para uma revolução, pela violenta campanha dos católicos franceses (protestando contra o ataque aos Estados da Igreja) e pela possibilidade de a Prússia entrar no conflito em apoio ao imperador Francisco José I da Áustria (a Prússia concentrou poderoso exército nas fronteiras com a França), preferiu assinar um armistício em Villafranca.

Em 10 de Novembro de 1859, foi firmado o Tratado de Zurique que confirmava o controle da Áustria sobre o Vêneto, cedia a Lombardia à França e estabelecia o retorno ao trono dos soberanos de Toscana, Parma e Módena. Este desrespeito de Paris para com a aliança franco-italiana foi denunciado por Marx e Engels, em artigos publicados em jornais europeus e italianos.

Ainda que Napoleão III repassasse, posteriormente, a Lombardia ao Piemonte-Sardenha, as condições do armistício provocaram indignação nos patriotas. Os ducados de Toscana, Parma e Módena não reempossaram seus soberanos. Esses ducados e parte dos Estados Pontifícios (as Marcas e a Úmbria) optaram, mediante plebiscitos populares, pela união com o Piemonte-Sardenha. Napoleão III concordou, desde que a França recebesse o Ducado de Sabóia e Nice. No mesmo ano, foi feito um plebiscito nessas duas regiões, que passaram à França, praticamente por unanimidade. No transcurso da primeira metade de 1860, o Reino da Sardenha transformou-se no Reino de Itália.

Olhando com desconfiança para a política francesa na Itália, uma vez que ela visava aumentar a zona de influência de Paris, desequilibrando as forças no continente europeu, o governo inglês preferiu apoiar a criação de um Estado unificado na Itália, impedindo que a França assumisse o papel de árbitro na política peninsular.

A conquista da Sicília
Garibaldi partindo para a conquista da Sicília.Em Abril de 1860, iniciou-se uma insurreição camponesa na Sicília, para onde se dirigiu Garibaldi. Em Maio de 1860, o lendário Giuseppe Garibaldi – líder da Sociedade Nacional, um movimento criado por ele e Pallavicino, com o apoio do Conde de Cavour e que tinha por finalidade unificar a Itália – partiu de Gênova e desembarcou em Marsala com um exército popular de 1070 homens conhecido como os "mil de Garibaldi" ou os "mil camisas-vermelhas", porque estes voluntários usavam camisas-vermelhas.

Dentro de duas semanas, os revolucionários chegaram à cidade de Palermo, obtendo a capitulação de um exército regular de 20.000 homens. Em Setembro, Garibaldi entrou em Nápoles, sendo logo seguido pelo exército de Vítor Emanuel II, que havia conquistado os Estados Pontifícios. Garibaldi assumiu o poder em Nápoles, com o apoio incondicional de uma parte considerável da população, com exceção dos camponeses, que não constituíam uma forte oposição aos latifundiários.

Republicano convicto, Garibaldi opunha-se à política da Casa de Sabóia, pois ela daria ao país o regime monárquico. Apesar disso, Garibaldi voluntariamente reconheceu a autoridade de Vítor Emanuel quando esta foi exigida por Cavour e entregou o Reino das Duas Sicílias ao rei, pois preferia ver uma Itália monárquica unida a uma Itália desunida. Vítor Emanuel foi proclamado, em 17 de março de 1861, rei da Itália, cuja capital passou de Turim para Florença em 1865, já falecido Cavour. Em 1861, a comunidade internacional, com exceção da Áustria, reconheceu o nascimento do novo Estado italiano.

Veneza e Roma
Ainda permaneciam sem solução o Vêneto (em poder da Áustria) e Roma (em poder do papa). Negociações diplomáticas, realizadas pelo governo italiano com a Áustria e com o Papa fracassaram.

Em 1866, a Prússia entrou em guerra com a Áustria, auxiliada pelo novo Estado italiano. Garibaldi e os seus homens sofreram muitas derrotas, mas as tropas da Prússia ditaram o resultado final deste conflito. Após a assinatura da Paz de Viena em 1868, a Áustria foi coagida a renunciar ao Vêneto e a região foi integrada ao Reino de Itália.

Em 1862, Garibaldi tentara conquistar Roma, mas fora vencido. Em 1867, tentou novamente, porém o imperador francês Napoleão III, pressionado pelos católicos de seu pais, invadiu Roma e recolocou o Papa no trono. Pela importância histórica da cidade, antiga capital do Império Romano e sede da cristandade ocidental, a Itália sem Roma era como um homem sem cabeça. Os partidários da unificação queriam transformá-la na capital do novo reino. Os obstáculos eram o exército francês, que ocupava a cidade e o papa, que controlava as amplas massas italianas, majoritariamente católicas.

Papa Pio IX.O primeiro obstáculo foi removido com a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871). Devido a essa guerra, as tropas francesas foram retiradas da "Cidade Eterna" para combater os prussianos, e os italianos invadiram a cidade, que foi ocupada pelas tropas de Vítor Emanuel em 20 de setembro de 1870, sendo transformada na capital do reino que se formava. Em 13 de Março de 1871, Vítor Emanuel ofereceu como compensação ao Papa uma indenização e o compromisso de mantê-lo como chefe do Estado do Vaticano, um bairro de Roma onde ficava a sede da Igreja (as leis de garantia).

O Papa Pio IX, consciente de sua influência sobre os católicos italianos e desejando conservar o poder da Igreja, recusou as duas ofertas e declarou-se prisioneiro voluntário do Estado italiano. Além disso, proibiu os católicos italianos de votar nas eleições do novo reino.

Essa incomoda questão de disputas entre o Estado e a Igreja, chamada Questão Romana, só terminou em 1929, quando o ditador fascista Benito Mussolini, necessitando de apoio da Igreja e dos católicos, assinou com o Papa Pio XI a Concordata de São João Latrão. Por esse tratado, firmou-se um acordo pelo qual se criava o Estado do Vaticano, o Sumo Pontífice recebia indenização monetária pelas perdas territoriais, o ensino religioso era obrigatório nas escolas italianas e se proibia a admissão em cargos públicos dos sacerdotes que abandonassem a batina.

As províncias irredentas
A unificação da Itália ainda não se havia completado. Algumas províncias como Trentino, Tirol Meridional, Trieste, e Ístria, continuavam sob domínio austríaco, sendo chamadas de províncias irredentas, isto é, não libertadas. Nessas regiões, irrompeu um movimento de caráter nacionalista: o Irredentismo. Ao final da Primeira Guerra Mundial, partes dessas regiões foram incorporadas à Itália.

UNIFICAÇÃO DA ALEMANHA


Otto von Bismarck o "Chanceler de Ferro" (1815-1898), responsável pela unificação do território alemão.

A Unificação Alemã foi um processo iniciado em meados do século XIX e finalizado em 1871, para a integração e posterior unificação de diversos estados germânicos em apenas um: a Alemanha. O processo foi liderado pelo primeiro-ministro prussiano Otto von Bismarck, conhecido como chanceler de ferro, e culminou com a formação do Segundo Reich (Império) alemão.

Antecedentes
Em meados do século XIX, após a separação territorial no Congresso de Viena, o espaço territorial germânico era constituído por 39 Estados diferentes reinos, ducados e cidades livres, que apenas tinham em comum a mesma raiz linguística (o alemão) e a mesma base cultural. Nele, a hegemonia política era disputada pelas suas duas principais potências: a Áustria dos Habsburgos, que dominava a Dieta (o Parlamento da Confederação Germânica) e a Prússia, governada pelos Hohenzollern. No plano econômico, o território germânico ainda vivia, em linhas gerais, numa estrutura feudal, em plena Idade Contemporânea; a exceção era a Prússia, mais industrializada, com maior poder económico, que desde 1834 implantara o "Zollverein", uma aliança aduaneira entre os Estados da Liga Alemã.

Desde o início do século XIX que o desejo da unidade nacional podia ser notado, principalmente nos meios acadêmicos e literários. Como exemplo, Freiherr vom Stein, na Prússia tentou implantar um programa político inspirado nessa pretensão, porém acabou sendo afastado em 1808. Após isso a Áustria reimplantou sua influência, e o nacionalismo alemão ficou inoperante até 1848, quando ocorreram diversas revoluções por toda a Europa, a chamada "Primavera dos Povos".

Revolta de 19 de Março de 1848 em Berlim.A partir do movimento de Fevereiro de 1848, na França, que conduziu à abdicação de Luís Filipe I de França, nos meses seguintes diversos Estados alemães também se revoltaram, registrando-se manifestações populares e um movimento a favor de um parlamento nacional eleito pelo povo, que elaborasse uma nova constituição para uma Alemanha unificada.

No Império Austríaco, constituído pela Áustria e pelos reinos da Hungria, da Boémia, Lombardo-Vêneto e da Galiza (sul da atual Polónia), registravam-se tendências separatistas entre as diversas minorias étnicas, que haviam sido arbitrariamente reunidas sob a Coroa Austríaca pelo Congresso de Viena (1815). Submetidas a um regime político absolutista, personificado pelo primeiro-ministro von Metternich, a Áustria-Hungria era uma região economicamente atrasada, onde no campo persistiam os laços de servidão, e nos centros urbanos, uma alta burguesia pouco numerosa controlava as atividades económicas, sujeitando a pequena burguesia, os artesãos e os operários.

Em Março de 1848, assim que as notícias do levante de Fevereiro em Paris tornaram-se conhecidas em Viena, a burguesia liberal uniu-se à pequena burguesia e ao operariado, promovendo manifestações de rua para reivindicar a ampliação do direito de voto e a destituição de Metternich. Diante da radicalização do movimento, Metternich fugiu para a Inglaterra e o imperador Fernando I outorgou uma Constituição, com a qual esperava esvaziar a revolta. Entretanto, um novo levante em Maio obrigou-o a convocar uma Assembleia Nacional, eleita por sufrágio universal masculino.

Poucos dias após a insurreição em Viena, burgueses e operários de Berlim ergueram barricadas nas ruas, entrando em choque com as tropas do rei Frederico Guilherme IV da Prússia, que também foi obrigado a autorizar a convocação de uma Assembleia Constituinte.

Ao mesmo tempo, ainda em Maio de 1848, uma Assembleia composta por deputados eleitos por todo o território germânico - o Deutscher Bund - se reuniu em Frankfurt-am-Main para a elaboração da nova constituição alemã. Nela, distinguiam-se dois grupos de deputados: os Grossdeutsche e os Kleindeutsche. Os deputados do primeiro grupo defendiam uma Alemanha incluindo a Áustria, estendendo-se do mar Báltico, ao norte, até ao Adriático, ao sul. Já o segundo grupo defendia uma Alemanha sob liderança dos prussianos, excluindo assim a Áustria. A solução encontrada para o impasse foi a de um Estado governado pelos Hohenzollern. A Coroa da nova Alemanha foi oferecida ao rei da Prússia, Frederico Guilherme IV, que recusou-a e também não aceitou a Constituição de Frankfurt. Esta atitude foi repetida pelo governo da Áustria e dos outros Estados alemães. O povo alemão, embora quisesse ver a nova Constituição aprovada, não estava totalmente satisfeito com ela, pois o poder ainda continuaria na mão dos antigos líderes. Deste modo, a revolução ficou enfraquecida, a Assembleia foi dissolvida e a restauração conservadora se completou, acabando, por algum tempo, com o sonho de uma Alemanha unificada.

Em Viena, constatando que não conseguia mais controlar o povo, a burguesia voltou atrás em seu apoio à revolução, optando por sujeitar-se a um governo fortemente centralizado a colocar em risco a sua posição económica. Com a união da burguesia à aristocracia, o exército retomou a cidade, conseguindo sufocar a rebelião em Outubro. O novo primeiro-ministro, Schwarzenberg, dissolveu a Assembleia Constituinte, forçando o imperador Fernando I a abdicar em favor de seu sobrinho Francisco José, que restaurou o Absolutismo.

Nas demais regiões do Império, as minorias nacionais, encorajadas pelos levantes de Viena e Berlim, mobilizaram-se pela independência. Na Boémia (atual República Checa), em Abril de 1848, foi convocado um Parlamento independente como primeiro passo para a formação de uma Assembleia Constituinte. Na Hungria, o advogado Lajos Kossuth, líder do movimento autonomista, proclamou a República, em Abril de 1849. Mas todas essas rebeliões foram sufocadas pelo exército austríaco que, no caso da Hungria, recorreu à ajuda das tropas do czar Nicolau I da Rússia.

As Revoluções de 1848 na região, mesmo sem sucesso, permitiram mostrar o caminho a ser seguido: um processo de unificação liderado pela Prússia, mas não pelos meios revolucionários, e sim pela Casa dos Hohenzollern.

A Unificação Alemã: a Prússia de Bismarck

Otto von Bismarck o "Chanceler de Ferro" (1815-1898), responsável pela unificação do território alemão.E essa revolucao foi uma vala pra geral,geral ficou escoltadao e com um pezinho atraz pra nao dar cao. O fracasso da Revolução de 1848, de intuitos unificadores, implicou a continuidade da fragmentação da Alemanha. Na década de 1850 os grandes senhores da Prússia, detentores do poder político, mantinham os seus privilégios - o monarca, receando uma nova revolução, resolveu manter a Constituição onde esses privilégios eram consagrados.

A partir de 1848, o ritmo de desenvolvimento do setor industrial e das cidades foi bastante acelerado e apenas a divisão política travava o progresso do capitalismo. Tornava-se indispensável a unificação da Alemanha para prosseguir o projeto econômico germânico.

A liderança da unificação alemã ficou com a Prússia, pois este era o Estado alemão mais industrializado e com grande importância política na Europa. Era também a maior potência militar entre os estados alemães. Seu desejo expansionista vinha de algumas décadas, de quando desejava unificar seus territórios ocidental e oriental. Para este fim, foi criado o Zollverein, uma união aduaneira e alfandegária nos Estados da Liga Alemã, em 1834. A criação do Zollverein proporcionou à região um grande crescimento industrial e integração dos Estados, principalmente com o desenvolvimento de uma rede ferroviária interligando as diversas regiões do território germânico;


Bismarck, Roon e Moltke.Por volta de 1850, a Prússia já superava economicamente a Áustria, mas a liderança política veio apenas em 1862, quando começou a governar a Prússia o rei Guilherme I, um apaixonado pelas questões militares, que fez uma reforma em suas forças armadas. Convocou, para auxiliá-lo, Moltke, chefe de Estado-Maior, e Roon, como ministro da Guerra. O exército da Prússia logo se transformou no melhor da Europa.

Otto von Bismarck - que tinha ocupado, entre outros cargos, o de embaixador na Rússia e na França - foi nomeado chanceler (primeiro-ministro). Membro da aristocracia alemã e também favorável a uma monarquia centralizada, Bismarck realizou uma política de aliança dos junkers (grandes proprietários e aristocratas) com a alta burguesia, e através dela resolveu fortalecer o Zollverein, intensificando a integração dos Estados alemães além de modernizar o exército, sendo isso de grande importância para as batalhas que aconteceriam nos anos seguintes. Para levar a cabo a reforma militar, Bismarck prescindiu no Parlamento: "Os problemas de hoje não se decidem com discurso, nem tampouco com o voto das maiorias. Esse foi o grande erro de 1848 e 1849. Decidem-se com ferro e sangue".

Utilizando-se da estratégia de exaltação do espírito nacionalista, criou uma política de guerras contra inimigos externos e contra a ocupação das regiões alemãs, o que auxiliou na expansão do território prussiano e, posteriormente, germânico. Em um período de sete anos (1864 - 1871), três guerras de destaque foram decisivas para a unificação dos Estados germânicos: A Guerra dos Ducados (1864), a Guerra Austro-Prussiana (1866) e a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871).
A Guerra dos Ducados (1864), contra a Dinamarca
Em 1864 a Prússia juntou-se à Áustria em uma guerra contra a Dinamarca pelo domínio dos ducados de Schleswig e Holstein. O confronto ficou conhecido como Guerra dos Ducados' e ao seu final, Prússia e Áustria, vitoriosas, dividiram a administração dos ducados através da Convenção de Gastein, em 1865. A Áustria, porém, tentou implantar uma política única ao condado de Holstein, privando assim a Prússia de direitos assegurados em outros acordos. Restou a Bismarck entrar em guerra contra a Áustria em 1866.

A Guerra Austro-Prussiana (1866)
Em 1866, a Prússia, com o auxilio da Itália,[1] também sob processo de unificação nacional, entrou em Guerra contra a Áustria. A vitória prussiana veio após a Batalha de Königgrätz, em Sadowa (3 de Julho de 1866). No dia 23 de Agosto de 1866, foi firmado o acordo de paz em Praga. Com a vitória a Prússia expulsou a Áustria da Alemanha.

No ano seguinte, Bismarck dividiu a Confederação em dois grupos de Estados; a Confederação do Norte e a do Sul, tendo como limite o rio Main. A Confederação da Alemanha do Norte, logicamente, ficou sob seu controle, com os países (principados e cidades livres), luteranos, que a apoiaram na Guerra Austro-Prussiana. Os quatro Estados que formavam a Confederação do Sul, majoritariamente católicos, não conseguiram se consolidar em uma unidade. Estes Estados viriam a negociar um pacto com a Confederação da Alemanha do Norte, segundo o qual, em caso de guerra com a França, o rei da Prússia tornar-se-ia general dos exércitos germânicos. A Confederação do Norte é a antecessora do Império Alemão, que precisava de muito pouco para se concretizar: a guerra contra a França.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-1871)
Apesar de a Áustria ter sido derrotada pela Prússia, o sul da Alemanha era constituído por democratas e aspiravam a uma Alemanha liberal, se opondo à união com a Prússia de Bismarck, que era um Estado militarista. Visando eliminar este entrave à unificação do norte com o sul, Bismarck necessitava de um inimigo comum que uniria, e possibilitaria a futura unificação; e este inimigo mais adiante seria a França de Napoleão III. Desde os tempos das guerras napoleônicas (de Napoleão I, derrotado em 18 de junho de 1815), os prussianos não simpatizavam com a França, e os professores prussianos repassavam este sentimento aos seus alunos em relação à nação francesa. Daí, Bismarck afirmar que foi o mestre-escola quem ganhou a guerra franco-prussiana, logo após a derrota da França na guerra contra a Prússia.

Pretexto da Guerra Franco-Prussiana (1870-1871)
A Espanha, que estava sem rei desde 1868, ofereceu através de seu parlamento a Coroa ao príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen, parente afastado do rei da Prússia (também da Casa dos Hohenzollern). Tal fato era inaceitável pela Europa anti-prussiana que contava também com a França. O ministro do exército francês proferiu um discurso indignado e belicoso contra a Prússia, o que gerou sentimentos anti-franceses no sul da Alemanha. Bismarck aproveitou-se da ideia de guerra entre os dois países, pois estava interessado em territórios franceses e sabia que conseguiria apoio no sul da Alemanha, o que seria decisivo para seus planos de unificação alemã.

Ele também sabia da superioridade de seu poderio militar sobre o medíocre exército francês. Todavia antes do conflito começar, Napoleão III temendo a expansão prussiana, protesta e exige do rei da Prússia a renúncia do príncipe Leopoldo, que desiste de disputar o trono espanhol.

Napoleão III ainda não satisfeito, e querendo agradar à opinião pública francesa, exige novas garantias de que jamais um membro de sua família ocuparia o trono espanhol.

Apesar de Guilherme I aceitar todas as condições impostas pelo imperador francês, este último insistia que o rei deveria dar estas garantias e negociar pessoalmente ao embaixador Benedetti da França. O rei prussiano que anteriormente atendera a todas as reivindicações de Napoleão III refutou (recusou) ter que negociar e dar novas garantias ao embaixador francês, Benedetti.

Em Paris, a atitude do rei prussiano foi tida como uma ofensa ao orgulho nacional da França e ao povo francês - este foi o motivo da França de Napoleão III declarar guerra à Prússia.

Finalmente França e Prússia entraram em guerra em 1870 e, logo a Prússia mostrou-se preparada o suficiente para encurralar a França em seu próprio território. Os franceses perderam em todas as frentes. O forte exército prussiano acumulava vitórias, como sucedeu na esmagadora vitória na batalha de Sedan (1 de Setembro de 1870) na qual o próprio imperador francês foi feito prisioneiro. No dia 2 de setembro de 1870 conclui-se a batalha de Sedan, onde a cavalaria francesa resistiu bastante, a ponto do rei Guilherme I da Prússia admirar a bravura com que estes lutaram.

Porém, Napoleão III viu que era inútil sacrificar vários soldados seus, e manda hastear a bandeira branca, e entrega sua espada, ficando prisioneiro do rei prussiano. Dois dias depois, a república seria proclamada em Paris.

No dia 20 desse mês, os prussianos cercavam Paris. Perante esta situação, o governo de Defesa Nacional (republicano, em funções desde 4 de Setembro, altura em que depusera Napoleão III) assinou a rendição. Na paz de Frankfurt (10 de Maio de 1871) a França, para além de pagar uma pesada indenização de 5 bilhões (ou 5 mil milhões em Português europeu) de francos para a Prússia, entregava o rico território da Alsácia-Lorena, de maioria germânica e rica em carvão, para o novo Império Alemão.

A vitória em Sedan estimulou o nacionalismo no sul da Alemanha e os Estados germânicos ao sul do rio Main (Hesse, Baden, Baviera e Würtemberg) entraram na Confederação. A esses Estados, porém, foram garantidas certas autonomias, como, por exemplo, exército próprio em tempo de paz.

Com a integração desses Estados ao novo Reich (II Reich; pois o I Reich ou Sacro Império Romano-Germânico, foi fundado por Carlos Magno, rei franco, sucedido mais adiante por Oto I o Grande), completou-se a última etapa para a unificação alemã.

Motivos da derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana
A derrota da França comandada pelo general francês Mac-Mahon se deu por ser o exército prussiano maior e estar mais bem organizado para a guerra. Enquanto os canhões franceses eram carregados pela boca, os da Prússia tinham os famosos Krupp, de aço, carregados pela culatra, o que possibilitava tiro mais rápido.

Paris resistiu o quanto pôde aos prussianos, mas capitulou após quatro meses, por causa da fome.

A Coroação de Guilherme I: O Segundo Reich

Proclamação do Segundo Império Alemão. Bismarck está de branco, ao centro.
Os Estados Germânicos unificados, formando o Segundo Reich (1871-1919).Com todas as etapas completas, a unificação alemã se consolidou em Janeiro de 1871 com a proclamação de Guilherme I como o primeiro Kaiser (Imperador) do Império Alemão, formando assim o Segundo Reich alemão. A coroação de Guilherme I aconteceu no Palácio de Versalhes (18 de Abril de 1871), para humilhação dos franceses, vencidos na guerra Franco-Prussiana. Isso apenas intensificou o revanchismo francês. Bismarck também foi nomeado como o primeiro chanceler da Alemanha, ficando no cargo de 1871 a 1890.

Após a unificação, o governo alemão manteve características autoritárias, sem incorporar o liberalismo democrático. Apesar disso, a Alemanha cresceu rapidamente, logo superando a Inglaterra na produção de aço, tornando-se uma das maiores potências europeias. O Segundo Reich durou até 1919, após a Primeira Guerra Mundial, quando foi substituído pela República de Weimar. Durante toda a sua existência (1871 - 1919), o Segundo Reich foi governado pela dinastia prussiana dos Hohenzollern.

Consequências da Unificação Alemã
A unificação dos Estados da Germânia foi um evento que gerou inúmeras consequências, imediatas ou posteriores, em toda a Europa e que foram responsáveis pela instabilidade no território europeu até a metade do século XX.

É possível dizer que a unificação alemã foi um dos principais motivos para o estouro da Primeira Guerra Mundial. A unificação da região de Alsácia-Lorena ao Segundo Reich Alemão gerou o revanchismo francês. Os franceses inconformados com a situação e com a humilhação provocada pelos alemães (como na coroação de Guilherme I no próprio Palácio de Versalhes, em território francês) mantiveram um sentimento de revanche que foi decisivo na política de alianças dos países europeus até quando eclodiu o conflito em 1914. Outro fator de influência para o surgimento do conflito foi a batalha dos países europeus por territórios na África e Ásia, no período conhecido como neocolonialismo. Os alemães, recém unificados, exigiam uma redivisão colonial nos continentes (ver Império colonial alemão), o que aumentou a tensão entre as potências.

Resumo
O Império Germânico, inicialmente, era formado por mais de 240 Estados. Mais tarde, foi substituída pela confederação Germânica, com a queda de Napoleão, por 39 Estados. Houve a União Aduaneira, que estabelecia a mesma moeda para os estados alemães. A confederação durou até a vitória da Prússia na Guerra Austro-Prussiana, quando a Alemanha foi dividida em Alemanha do Norte e Estados do Sul. Na Guerra Franco-Prussiana, além da Prússia ganhar as regiões da Alsácia-Lorena, a Alemanha foi unificada.